quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

conduta cristã; a oração do apostolo paulo

TEXTO BASE EF 1: 15 -23

ONTRODUÇÃO

TEMA: CONDUTA CRISTÃ

PRIMEIRA ORAÇÃO DO APÓSTOLO PAULO DE  I A II

15. Por isso também eu, tendo ouvido falar da fé que entre vós há no Senhor Jesus e do vosso amor para com todos os santos,

16. não cesso de dar graças por vós, lembrando-me de vós nas minhas orações,
17. para que o Deus de nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai da glória, vos dê o espírito de sabedoria e de revelação no pleno conhecimento dele;

18. sendo iluminados os olhos do vosso coração, para que saibais qual seja a esperança da sua vocação, e quais as riquezas da glória da sua herança nos santos,

19. e qual a suprema grandeza do seu poder para conosco, os que cremos, segundo a operação da força do seu poder,

20. que operou em Cristo, ressuscitando-o dentre os mortos e fazendo-o sentar-se à sua direita nos céus,

21. muito acima de todo principado, e autoridade, e poder, e domínio, e de todo nome que se nomeia, não só neste século, mas também no vindouro;

22. e sujeitou todas as coisas debaixo dos seus pés, e para ser cabeça sobre todas as coisas o deu à igreja,

23. que é o seu corpo, o complemento daquele que cumpre tudo em todas as coisas.

Nesses versículos, Paulo, com coração devoto, lembrando-se de seus leitores, orando e agradecendo a Deus por eles, numa demonstração do seu espírito altruísta e intercessório, ensina-nos uma grande lição.
Nos versos 3 a 14 do mesmo capítulo, nossa posição em Cristo é assegurada pelas três bênçãos principais que emanam de Deus: fomos eleitos em Cristo para sermos santos e irrepreensíveis; fomos remidos pelo seu sangue; e fomos selados com o Espírito Santo até o dia em que corpo, alma e espírito sejam plenamente livres para o gozo eterno.

Depois que Paulo mostrou essas três bênçãos divinas, orou pelos efésios, impelido pelo grande amor que tinha para com aqueles irmãos na fé.
Orou pelo crescimento espiritual da igreja e, no verso 16, disse ainda: "Não cesso de dar graças a Deus por vós".

1. Dois aspectos da vida de oração de Paulo EF 1: 16



Dois aspectos da vida de oração do apóstolo são destacados no versículo 16.
Em primeiro lugar, sua constância na oração e o contínuo apelo aos crentes para que orassem sem cessar (Rm 12.12; Ef 5.18; Cl 4. 2; 1° Ts 5.17).

O segundo aspecto de sua oração está no agradecimen¬to.
Ele ensinou à igreja que a intercessão deve estar acompanhada de louvores ao Senhor (Ef 5.19; Fp 4.6; Cl 3.15-17; 4.2; 1 Ts 5.18).

2. A oração de intercessão pelos crentes de Éfeso 1: 16
A intercessão na oração é eficaz em seus resultados e denota um espírito altruísta e desprendido de si mesmo.

Paulo preocupava-se constantemente com o nível espiritual dos crentes em Éfeso, por isso, mesmo estando numa prisão em Roma, intercedia por aqueles irmãos.

3. Três pedidos especiais na oração do apóstolo EF 1: 17,18
A oração do "apóstolo das gentes" teve três pedidos especiais para os crentes da igreja em Éfeso. Ele começa com as palavras [que Ele] vos dê" (v. 17) e apresenta a seguir os três pedidos.
Primeiro, "o espírito de sabedoria". Segundo, "[o espírito] de revelação".

Terceiro, que lhes fossem "iluminados os olhos do... entendimento".

1. O primeiro pedido: "Para que... vos dê... o espírito de sabedoria" (EF 1: 17)

A palavra "espírito" nesse versículo refere-se ao espírito huma¬no, não a outro espírito (Rm 1. 9; 2 Co 7.13; Ef 4.23; Cl 1. 9).
Entretanto, entendemos que é o Espírito Santo quem opera no próprio espírito do crente.
O pedido de Paulo para que Deus desse "o espírito de sabedoria e de revelação" refere-se à experiência cristã vivida pelos efésios, por isso desejava que tal experiência fosse fortalecida na fé.

Que sabedoria era essa? A sabedoria espiritual, a fim de que tivessem pleno conhecimento da verdade divina, e ainda uma visão clara e racional do significado da vida cristã.
"O espírito de sabedoria" é dado pelo Espírito Santo que habita no interior do crente em Cristo e contrasta com a simples sabedoria humana.

Ter o "espírito de sabedoria" é ter conhecimento de Deus.
E penetrar nos seus tesouros imensuráveis. No capítulo 12. 8 da Primeira Carta aos Coríntios, o apóstolo Paulo, quando fala acerca dos dons do Espírito, apresenta, entre os demais dons, aquele que ele denomina de "dom de sabedoria".

Sem dúvida, quando ele ora em favor dos efésios, pede que Deus lhes dê esse dom, que habilita o crente a saber viver uma vida cristã vitoriosa, podendo distinguir todos os valores espiri¬tuais.
Ter o "espírito de sabedoria" é ter a ação do Espírito Santo aclarando os mistérios espirituais através da mente; é ter luz sobre a glória do Cristo ressurreto; é a capacitação para saber distinguir entre o bem e o mal; é o poder para conhecer a Jesus Cristo na Bíblia e, automaticamente, conhecer a Deus.

2.  O segundo pedido é para que tenham "o espírito de revelação" (EF 1: 17)
O sentido da palavra "revelação" indica a importância do pedido de Paulo em favor dos efésios. Revelação significa tirar o véu sobre alguma coisa obscura ou escondida.
É ter uma revelação espiritual, isto é, uma visão espiritual dos valores espirituais.

É a visão que penetra no conhecimento de Deus. Há um conhecimento inacessível ao homem natural — o conhecimento das coisas divinas: só pelo "espírito de revelação" será possível conhecer essas coisas.
O "espírito de revelacão" é dado pelo Espírito Santo. Não significa uma nova revelação além daquilo que já está revelado nas Escrituras, mas diz respeito a uma iluminação da parte do Espírito Santo no espírito do crente para que ele possa ver claro as verdades espirituais.
Não significa aquela iluminação natural e gradual que pode acontecer com o estudante da Palavra de Deus, mas importa num conhecimento pleno e profundo dos mistérios espirituais escondidos na Bíblia Sagrada.

3. O terceiro pedido nessa oração está no verso 18, que diz:
"Tendo os olhos iluminados do vosso entendimento..." A sabedoria divina só poderá ser vista por "olhos iluminados", que não são olhos naturais, mas "os olhos do vosso entendimento".

4. Três possibilidades expressas na oração EF 1: 18

A expressão "tendo os olhos iluminados do entendimento" fornece três possibilidades:

1. Primeira
O entendimento iluminado, que nos possibilita compreender os motivos de nossa separação do mundo.
Fomos salvos para servir a Deus aqui na terra e desfrutarmos a herança com Cristo na eternidade. Enquanto se está em trevas, todas as coisas espiri¬tuais são obscuras, mas quando Cristo entra em nós, o Espírito Santo desfaz as trevas e nos dá uma nova visão, uma nova compreensão.

E quando temos condições de, com o entendimento iluminado, notar a diferença entre o salvo e o perdido.
Em algumas versões temos uma variante textual que, ao invés de "entendimento" aparece a palavra "coração", ou seja, "tendo iluminados os olhos do vosso coração".

O texto correto encontrado em todos os manuscritos iniciais realmente é "coração", cujo sentido pode ser também tomado por "entendimento".

Certamente algum escriba, ao copiar o texto original, preferiu a segunda opção.

A iluminação do coração, ou do entendimento, não é a simples descoberta ou acuidade intelectual, mas é a ação do Espírito Santo fazendo penetrar sua luz radiante sobre as grandes verdades divinas.
Aquilo que a mente natural não pode perceber, a alma pode ter olhos que vejam, mediante o Espírito Santo.

2.  Segunda
A capacidade de olhar para as riquezas de sua glória com olhos espirituais.
Essa glória é o reflexo do caráter de Cristo revelado na obra expiatória e conhecida na sua glorificação. E a glória da herança que o Pai Celestial tem para nós (Jo 17. 24).

3.  Terceira
Tendo "os olhos iluminados" do nosso interior, poderemos ver a "suprema grandeza do seu poder" (v. 19).
Ora, depois de termos uma visão da glória de Cristo e estarmos conscientizados de nossa vocação celestial, precisaremos ainda de poder.

Essa experiência ocorre "segundo a operação da força do seu poder" (v. 19).
Que poder é esse? Ele se manifesta pela vontade do Espírito Santo.
É a capacitação dada pelo Espírito para penetrarmos nas riquezas espi¬rituais.
Ninguém jamais poderá, por capacidade intelectual ou ape¬nas por desejo próprio, penetrar nessas riquezas sem a obtenção desse poder.

Esse poder nos fornece a chave dos tesouros divinos.
O poder que nos regenerou é o mesmo que nos habilita a viver uma vida de vitória sobre o pecado.

5. As riquezas espirituais encontradas através da oração EF 1: 19
No versículo 18 somos possibilitados a conhecer essas rique¬zas da sua glória. Já o versículo 19 indica o conhecimento da "suprema grandeza do seu poder sobre nós".
Paulo nos dá a impressão de ter penetrado nas riquezas dos mistérios divinos e, então, quando usa o vocábulo "suprema", nos leva para dentro desses mistérios gloriosos.
A palavra "suprema", traduzida do grego huperballo, dá o sentido literal de ultrapassar, ir além, lançar além.
Dentro do contexto bíblico, a palavra fala daquilo que é extraordinário, ou fora de medida ou incomensuravel.

Isso indica que "as riquezas da glória da sua herança" (v. 18) ou "a suprema grandeza do seu poder" são incomensuráveis, isto é, não se podem medir pelos cálculos humanos.

Tudo em Deus é grandi¬oso. Quando lemos o restante da passagem — "os que cremos, segundo a operação da força do seu poder" (v. 19) —, entende¬mos, mais uma vez, que a nossa participação nas riquezas da sua glória e do seu poder só é possível mediante o ato divino em nosso favor.

Esse poder, no grego dunamis, significa energia, força, habilidade, mas no que se refere à "força do seu poder" deve ser interpretado como o impulso que leva alguém a realizar determinado trabalho. E o Espírito Santo quem nos possibilita, isto é, nos faz entrar ou nos torna capazes de conhecer as riquezas da glória de Cristo.

6. Paulo exalta a Cristo na sua oração EF 1: 20-23
Nos versos 20-23 temos a exaltação de Cristo sobre todas as coisas.
"Que manifestou em Cristo, ressuscitando-o dos mortos, e pondo-o à sua direita nos céus" (v. 20). Esse versículo é a continuação do 19. Ele mostra que o mesmo poder que tirou a Jesus Cristo do túmulo, ressuscitando-o dentre os mortos, é o poder que levanta um pecador da morte espiritual e o coloca numa nova posição de comunhão com Deus (Rm 8.11).
O mesmo poder que abriu o mar Vermelho para que Israel passasse a seco (Êx 14.15-26) ressuscitou a Jesus dentre os mortos.
Agora esse mesmo poder está à nossa disposição, pois podemos usá-lo em nossa experiência diária.

7. Cristo acima de todos os poderes espirituais EF 1: 21
"Acima de todo o principado, e poder, e potestade e domínio".
Esse trecho do verso 21 indica a supremacia do poder de Deus sobre todas as forças espirituais.
As designações "principado, poder, potestade e domínio" falam de camadas angelicais puras, isto é, que servem a Deus, bem como das camadas angelicais caídas (anjos caídos), os quais, tanto no céu como na terra, e debaixo da terra, estão sob o poder de Deus (Fp 2. 9-11; Cl 1.16-20).
Todas essas forças estão sujeitas ao poder de Cristo, pois a Ele foi dado esse poder e autoridade (Mt 28.18; Ap 1.1,17,18).

2.  Cristo acima de todo nome EF 1: 21
"... e de todo nome que se nomeia, não só neste século, mas também no vindouro".
Mais uma vez o poder implica a autoridade maior e um nome maior (Fp 2. 9), que lhe foi dado acima de todo nome.

As palavras "neste século e no vindouro" mostram que o seu poder tem ação presente, isto é, no tempo e na eternidade.

3.  Cristo acima de todas as coisas EF 1: 22
"E sujeitou todas as coisas a seus pés". Tudo o que se move está sob o controle de Cristo.
O próprio Pai colocou tudo sob seu domínio (Sl 8. 7; 1° Co 15. 27).
A expressão mostra que Cristo foi elevado a uma posição de poder absoluto.
Sua autoridade, além de absoluta, é universal.

4.  Cristo como cabeça da Igreja EF 1: 22
"... e sobre todas as coisas o constituiu cabeça da igreja".
Sua autoridade é absoluta em relação à Igreja. Cristo, o cabeça da Igreja, e não o papa da igreja romana, é quem ocupa essa posição.
O corpo da Igreja não está separado da cabeça. É a cabeça que comanda o corpo e seus membros em particular.

5.  Cristo como o Senhor do seu corpo, a Igreja EF 1: 23
"... que é o seu corpo". O poder é administrado por Cristo em favor da Igreja, que é o seu corpo. Cada crente, devidamente ligado a esse corpo, recebe as bênçãos desse poder.

E a união vital e espiritual com Cristo que nos torna poderosos na vida cristã.
A complementação do verso diz: "... a plenitude daquele que cumpre tudo em todos".
A plenitude de Cristo representa toda a sua vida atuando sobre todo o seu corpo.
Cada crente (membro do corpo) é dinamizado por essa plenitu¬de que envolve toda a Igreja (todo o corpo).

A Igreja é a plenitude de Cristo, porém, é Cristo quem a enche e a torna plena com a sua glória e a sua presença.
No capítulo 4.13 de Efésios, o crente é convidado a crescer espiritualmente até que chegue "à medida da estatura completa de Cristo".

Em outras traduções, a expressão aparece assim: "até que cheguem à estatura da sua plenitude".

6. Cristo, a plenitude do seu corpo, a Igreja EF 1: 23
"... que cumpre tudo em todos". Nada do seu corpo fica fora do seu alcance.
Cada membro, mesmo os aparentemente mais insignificantes, recebe poder da mesma fonte que os demais. Esse versículo mostra que Ele é fiel e "cumpre tudo".

Os que estão unidos a Ele por sua vida na Igreja podem ter a segurança de que receberão seu poder.
A serviço do rei Pr. João Nunes e Juçara Graczcki


TEXTO BASE EF 3: 14 – 21

INTRODUÇÃO

TEMA: CONDUTA TCRISTÂ

A SEGUNDA ORAÇÃO DE PAULO PELOS OS EFÉSIOS=PARTE -II

14° Por esta razão dobro os meus joelhos perante o Pai,

15. do qual toda família nos céus e na terra toma o nome,

16. para que, segundo as riquezas da sua glória, vos conceda que sejais robustecidos com poder pelo seu Espírito no homem interior;

17. que Cristo habite pela fé nos vossos corações, a fim de que, estando arraigados e fundados em amor,

18. possais compreender, com todos os santos, qual seja a largura, e o comprimento, e a altura, e a profundidade,

19. e conhecer o amor de Cristo, que excede todo o entendimento, para que sejais cheios até a inteira plenitude de Deus.

20. Ora, àquele que é poderoso para fazer tudo muito mais abundantemente além daquilo que pedimos ou pensamos, segundo o poder que em nós opera,

21. a esse seja glória na igreja e em Cristo Jesus, por todas as gerações, para todo o sempre. Amém.

1. A razão da oração do apóstolo EF 3: 14

"Por esta causa" ou "por causa disto". Temos aqui uma expres¬são repetida pelo apóstolo, que lembra a razão de sua oração.
No início do capítulo 3, ele usa as mesmas palavras; mais uma vez enfatiza e renova a expressão para tornar vivo o fato que o levou a orar outra vez.

Nessa segunda oração, Paulo dá a impressão de ter descoberto (preso em algemas) a força moral e espiritual para estar na presença de Deus em oração e meditação.
A grandeza do amor de Cristo, a consolação do Espírito Santo, fortalecendo-o e revelando-lhe "mistérios espirituais" guardados na eternidade, e só revela¬dos agora, eram, para o apóstolo dos gentios, a vitória maior.

Seus sofrimentos físicos se tornam, a partir de então, uma fonte de bênçãos para si próprio e para a igreja em Éfeso.

2. A postura para a oração EF 3: 14
"... dobro os joelhos". A posição de orar com os "joelhos dobrados" não implica regra.
Não há uma postura determinada na Bíblia para orar, mas dentre as várias posições, o dobrar os joelhos tem o sentido de reverência a Deus.

Entretanto, a posição do corpo não nos é essencial à oração, mas sim a postura do nosso espírito, pois é mais importante a postura interior.

Por outro lado, não devemos vulgarizar posturas para a oração nem anular a importância de uma postura exterior, que pode representar nossa Própria atitude interior.

H. A. Alexander escreveu em A Epístola aos Efésios, páginas. 77 e 78:
"Em sua cela de prisioneiro, apesar dos tornozelos acorrentados, Paulo se ajoelha; mas não se trata apenas de uma atitude física: todo o seu ser se dobra, curva-se com o ardente desejo de que aquilo que lhe foi revelado nos seja comunicado e se torne experiência nossa.

“Verga-se sob o fardo espiritual, que depõe diante do Trono da Graça".

3. Uma oração feita ao Pai EF 3: 14,15
A designação "Pai de nosso Senhor Jesus Cristo" é peculiar no Novo Testamento e expressa a relação existente entre Deus Pai e os crentes em Cristo Jesus.

As palavras "Pai" e "família" estão intimamente ligadas e se destacam nos versículos 14 e 15. Nesse texto, a palavra "Pai", relativa a Deus, é mais que uma simples metáfora; alcança um sentido mais amplo.
Alguns teólogos apresentam-na com o senti¬do daquele que é o originador de todas as coisas.
Todo começo parte dEle, e Ele é antes de todos os começos.

No verso 14, a palavra "Pai" especifica o tipo de paternidade divina.
Em primeiro lugar, Ele é "Pai de nosso Senhor Jesus Cristo", o que indica, numa linguagem tipicamente humana, a revelação do amor de Deus na pessoa de Jesus Cristo, seu Filho.

Essa filiação divina, manifestada em carne, possibilitou uma nova filiação, formando uma nova família para com Deus, pelos méri¬tos de Cristo (Jo 1.12-14).

A palavra "família", como está no verso 15, aparece no texto assim: "do qual toda a família".
No original grego, as palavras "pai" e "família" correspondem apater (pai) e pátria (família ou paternidade).
A tradução mais fiel de pátria é paternidade, mas algumas traduções atualizadas preferem a palavra família.
Parte da frase diz: "toda a família", mas a idéia correta distingue cada família ("toda família").

A continuação da frase apresenta: "... família nos céus e na terra", e indica dois tipos de famílias ou paternidades filiadas a Deus Pai — a família nos céus e a família na terra.
Duas interpretações são possíveis.

A primeira prefere traduzir a expressão "toda a família", com a idéia de que o conceito de família ou paternidade vem de Deus e não se restringe a um tipo de família ou paternidade.
Então, pode haver a família dos astros luminosos nos céus, e a família de todas as coisas criadas por Deus nos céus e na terra.
A segunda interpretação, gramaticalmente, é mais correta, porque traduz "toda família" dentro do contexto geral da Bíblia.

Note-se, também, a distinção "nos céus" e "na terra", que pode ser interpretada de duas maneiras. Primeira, "toda a família nos céus" reúne todos os redimidos que já morreram; e "toda a família na terra" reúne todos os redimidos em Cristo que formam a igreja na face da Terra.

Segunda, "toda a família nos céus" reúne os seres celestiais (anjos) que servem a Deus todo o tempo nos céus; e "toda a família na terra" reúne todos os salvos que formam a Igreja de Cristo.

Na tradução de Figueiredo, o verso 15 aparece assim: 

"Do qual toda a paternidade toma o nome nos céus e na terra".

A colocação da frase nessa tradução sugere outra idéia: a palavra "paternidade" no lugar de "família" indica autoridade, ou aquele que exerce autoridade sobre outros.
Entretanto, entendemos que toda autoridade (paternidade) exercida na terra é recebida do Pai Celestial, emerge dEle e não de nós.

Ele é antes de nós! Da paternidade perfeita e plena flui a fonte de toda a autoridade nos céus e na terra (Ef 1.17). A força que Paulo dá à paternidade de Deus fortalece sua oração.

4. A vida de plenitude pela oração EF 3: 16 - 21

No início do verso 16, a expressão "riquezas da glória" revela a fonte e indica o depósito de tesouros espirituais, os quais ele chama de "riquezas de glória", e pede ao Pai Celestial que essas riquezas sejam dadas aos efésios.
Quais são as riquezas desse tesouro espiritual? Paulo pediu tanto quanto tinha conhecimento em sua revela¬ção. Ele não foi mesquinho na petição, mas sua fé alcançava uma visão maior: pediu o melhor, pediu as "riquezas da sua glória".

1.  Que sejam corroborados com o poder do Espírito Santo EF 3: 76
"... que sejais corroborados com poder pelo seu Espírito no homem interior".
Que significa "corroborar com poder"?
A palavra "corrobo¬rar" significa dar mais força ao que se afirmou; implica em comprovar.
No aspecto espiritual, essa palavra tem um sentido mais profundo.

A petição é "para que sejais corroborados no homem interior".
E vestir o homem interior com uma vestidura de poder e força espiritual.
O espírito do homem, por si só, não tem poder de vencer os ataques malignos (Ef 6.10-12), mas transformado e corroborado (vestido) com o poder do Espírito Santo, ele pode vencer todo o mal.

Esse "poder do Espírito" significa força e energia para lutar contra os ataques satânicos e para servir melhor ao Senhor.

Isso é o fortalecimento espiritual do "homem interior", da nova nature¬za recebida através do novo nascimento (2° Co 5.17).

O poder da carne só poderá ser detido pelo poder do Espírito (Gl 5.16,17).
O homem natural não tem poder para combater o pecado, porque o pecado reside no seu interior. Somente pela sua transformação através da obra regeneradora do Espírito Santo é que ele se torna "homem espiritual".

O espírito interior do homem se torna acessível ao Espírito Santo e recebe dEle o fortalecimento espiritual necessário (Rm 7.14,15; 1 Co 2.14,15; Gl 5.17,26).

2.  Para que Cristo habite em seu interior EF 3: 17
"Para que Cristo habite pela fé nos vossos corações".
A oração do apóstolo mostra a maneira como Deus pode operar no crente, isto é, no seu interior.
Os discípulos viveram fisicamente com Jesus e aprenderam a amá-lo.
Comiam, dormiam, bebiam e andavam com Ele por todas as partes da terra santa, sentindo a sua presença física.

Entretanto, quando Jesus morreu, e no espaço entre a sua morte e a ressurreição, sentiram muito a ausência física dEle.
Depois de ressurreto, Jesus apareceu-lhes algumas vezes e confirmou a promessa de estar sempre com eles, não mais fisicamente, mas invisível, no interior deles.

Os discípulos tiveram dificuldades em entender essa distinção.

Jesus cumpriu essa promessa quando enviou o Espírito Santo, que passou a habitar em seus corações, tornando bem real a sua presença espiritual dentro deles.

No original grego, a palavra "habite" dá a idéia de alguém que entra para tomar conta da casa, o nosso coração.
Ele deve ser o Senhor da casa e Ele a arruma como quer, porque sabe o que é melhor para essa casa.
Como Cristo poderá vir a habitar em nossos corações? O verso 17 diz que é "pela fé", não pelos sentimentos, por admiração Como Cristo poderá vir a habitar em nossos corações?

Ele é convidado a habitar, no sentido de tomar posse, de dirigir nossas vidas.
Não é estar perto ou ao lado, mas dentro de nós. Não é habitar temporariamente, como alguém que aluga um quarto da casa e desconhece o restante, mas é habitar no sentido pleno.

E tomar posse da casa e dirigi-la como bem lhe convier (Rm 8. 9,10).
"... nos vossos corações". A palavra "coração" aparece com dois sentidos na Bíblia.
Primeiro, como os sentimentos à parte do entendi¬mento.

Segundo, como toda a alma, incluindo o intelecto e os sentimentos. ção ou por outro meio qualquer.
A fé é o caminho, a via de acesso, a porta para o Senhor entrar e fazer morada.
O significado dessa morada de Cristo dentro do crente é a união mística entre Cristo e o crente em particular.

Neste último sentido, a Bíblia fala de "coração entendido" (1° Rs 3. 9,12; Pv 8. 5), e também como "pensamentos, planos e conselhos do coração" (Jz 5.15; Pv 19. 21; 20.5).

A palavra "coração" tem significado figurativo na Bíblia e deve ser entendida assim.
O coração é tratado como o centro da vida espiritual do crente.

Caráter, personalidade, mente e vontade são termos modernos que refletem uma pessoa, e na Bíblia estes termos são conhecidos como "coração".

3. Para que sejam arraigados e fundados em amor EF 3: 17
"... a fim de, estando arraigados e fundados em amor".
“As palavras 'arraigados" e "fundados" sugerem duas ilustrações.
Elas ilustram uma árvore e um edifício.

O termo "arraigados" pode figurar como a Plantação de uma árvore; é a representação que melhor ilustra a Igreja e foi usada por Jesus — a videira (Jo 15. 5).

Já a palavra "fundados" tem a ver com fundamento e sugere a figura de um edifício, a Igreja (Ef 2. 20,21; Cl 1. 23; 2. 7).

Conforme o texto nos dá a entender, nossas raízes e fundamentos são firmados no amor.
O amor é a base do crescimento e do fortalecimento de nossas raízes em Cristo; a firmeza e a solidez do fundamento de nossa fé estão no amor de Cristo.

Tanto uma árvore bem arraigada quanto o nosso fundamento, feito unica¬mente sobre a Palavra de Deus, indicam que a vida cristã não deve ser superficial nem basear-se em fundamentos rotos (Mt 7. 24-27).

4.  Para uma compreensão perfeita EF 3: 18

"... poderdes perfeitamente compreender, com todos os santos".
Essa expressão dá continuidade ao versículo 17 e passa a idéia de que jamais alguém poderá entender a grandeza do amor de Cristo sem estar "arraigado e fundado" nesse amor divino.
Outra versão aclara um pouco mais o sentido exato da expressão: "para que sejais plenamente capazes de compreender".

Essa capacitação é recebida do Espírito Santo; não por méritos pessoais, mas por graça e misericórdia do Senhor.

Além disso, essa capacitação não é concedida de qualquer maneira nem a privilegiados especiais entre os santos, mas a todos os salvos em Cristo.

O texto indica a participação individual "com todos os santos".

5.  As dimensões do amor de Cristo EF 3: 18
O conhecimento dessas dimensões é dado a "todos os santos".
Não é dado apenas aos que morreram em Cristo e gozam desse amor no além, mas a todos os santos que atuam na vida cristã, os crentes em Cristo Jesus.

O texto refere-se "a todos os santos" e não a elementos isoladamente.

Envolve todo o corpo de Cristo na terra, a sua Igreja.
O crescimento espiritual da Igreja acontece com todos os crentes que se esforçam em aprender e a buscar esse conheci¬mento.

A palavra "poderdes" implica no esforço para conhecer esse amor. Não se trata de esforço intelectual, mas espiritual.

Como penetrar nas dimensões do amor de Cristo?
A palavra "compreender" não tem significado absoluto porque essas dimen¬sões são infinitas. Penetrar nessa dimensão é como empreender uma viagem no espaço sem fim, viajar por toda a eternidade e nunca encontrar o seu limite.

A Igreja está nessa viagem, e um dia aquilo que é em parte será completo (1° Co 13.10).

1. A largura desse amor EF 3:18
"... qual seja a largura". Assim como o mundo contém toda a humanidade e os demais seres vivos, tal qual é o amor de Cristo. Sua amplitude abrange a todas as criaturas da Terra.

2.  O comprimento e a largura desse amor EF 3: 18
O comprimento e a largura do amor de Cristo não se limitam no tempo e no espaço. Nem tiveram seu início no Calvário, mas compreendem todas as eras, todas as idades, como diz o versículo 21: "todas as gerações, para todo o sempre".
A "altura" do amor de Cristo pode ser entendida em dois sentidos.
Primeiro, esse amor de tão alto está fora do alcance do inimigo, que procura privar o crente do seu gozo inefável.

Segundo, esse amor tem direção vertical em sua relação com o crente.
Assim como Jacó viu em seu sonho "uma escada... posta na terra, cujo topo tocava nos céus; e eis que os anjos de Deus subiam e desciam por ela" (Gn 28.12), assim também a altura do amor de.
Cristo pode indicar, não a distância que esse amor se encontra de nós, mas a sua canalização do Alto para os nossos corações (Jo 1. 51; 14.19,20).

3. A profundidade desse amor EF 3: 18
Esse amor é ilimitável e insondável, como o é a sabedoria de Deus.
O amor de Cristo não tem fim. Nunca poderá terminar.
E fonte que nunca seca. Nenhuma criatura poderá penetrar a pro¬fundidade da sabedoria divina, expressa em amor (Rm 11. 33).

4. Amor que excede a todo o entendimento EF 3: 19
"... e conhecer o amor de Cristo, que excede a todo o entendimento".
Não é um amor impossível ou incognoscível.
E um amor possível através da experiência obtida no desejo (esforço) de conhecê-lo.
É claro que não é um tipo de amor que possa ser discernido por conceitos meramente humanos ou filosóficos, porque o amor de Cristo é divino e incomparável. Somente aqueles que são nascidos de novo

(2° Co 5.17) podem provar e experimentar esse amor. 
Entretan¬to, esse fato não significa que possam explicá-lo — ele continua a ser um amor que "excede a todo o entendimento".
"... para que sejais cheios de toda a plenitude de Deus".
No Antigo Testamento, a palavra "plenitude" não aparecia com tanta ênfase e freqüência como no Novo Testamento.

Essa plenitude diz respeito ao crente individualmente e à Igreja como corpo de Cristo.
Os crentes em Cristo são a plenitude do seu corpo místico na face da Terra (1° Co 12.12,27; Ef 4.10).
Conhecer o amor de Cristo significa conhecer a medida de perfeição que Deus tem colocado diante de nós em Cristo Jesus.

Convém notar que essa plenitude é progressiva no sentido de que, assim como Cristo é, nós seremos, à medida que conhecermos o seu amor (Rm 8. 29; Ef 4.13).

O ideal divino para o alcance dessa plenitude está em que o homem remido pelo sangue de Cristo chegue à estatura perfeita de Cristo através do conhecimento do seu grande amor (Ef 4.13).

6. A resposta à oração do apóstolo EF 3: 20,21
Paulo, ao final de sua segunda oração, faz uma doxologia ao Deus Todo-Poderoso, que ouve e responde às orações.

A oração do apóstolo parece ter alcançado um grau tão alto e sublime que nada poderia impedir a sua resposta.

Para Paulo, Deus responde não somente ao que nós pedimos, mas Ele pode fazer muito mais do que pedimos ou pensamos (v. 20).

A total confiança no ilimitável amor divino move o coração de Deus, e a resposta divina chega com bênçãos excedentes, isto é, sempre acima do que pedimos ou pensamos.
Para que isso aconteça, é necessário que nossos desejos, aspirações e vontades sejam canalizados para o centro da vontade de Deus, e Ele, como lhe convier, responderá às nossas petições.

Ele é poderoso não só para fazer tudo o que pedimos ou pensamos, mas para fazer tudo além do que pedimos ou pensa¬mos, para fazer tudo muito mais abundantemente além do que pedimos ou pensamos.
O final do verso 20 mostra ainda como recebemos a resposta de nossas petições, conforme as palavras ali indicam: "segundo o poder que em nós opera".

Que poder é esse? Não é poder intelectual ou físico, nem poder moral.

É o poder do Espírito Santo que opera a partir da obra de regeneração.

É o poder que nos coloca acima dos poderes de Satanás, do mundo e do pecado.

É o poder para testemunhar de Cristo (At 1. 8).

E o poder que nos torna capazes de alcançar a plenitude de Deus.

No verso 21 está escrito: "... a esse glória na igreja, por Jesus Cristo".

Numa outra versão do original, o texto fica assim: "... a ele seja a glória na igreja". Que glória?
A glória de Cristo refletida na sua Igreja.

Em todas as gerações, essa glória sempre lhe pertencerá, e na atual dispensação Ele é o motivo da manifestação da graça de Deus.

As expressões "para todo o sempre" (v. 21) ou, em outra versão, "por todos os séculos" eqüivalem a dizer que todos os séculos formam a eternidade.

A glória de Cristo na Igreja brilhará por toda a eternidade.

A glória de Cristo na igreja refere-se, também, ao testemunho da Igreja a respeito de Cristo, bem como o caráter genuíno do Cristianismo mantido contra todas as intempéries dos séculos.

A Igreja é sempre uma instituição divina, e nunca uma instituição meramente humana.

A glória de Cristo reflete-se na Igreja, isto é, nos crentes que vivem com inteireza os seus ensinos. Nada deve empanar essa glória.

A serviço do rei Pr. João Nunes e juçara Graczcki

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