segunda-feira, 1 de abril de 2013

praticas sexuais diferentes: fantasias ou realidade?


TEXTO BASE 1° CO 7: 1 =12

INTRODUÇÃO 

TEMA: Práticas sexuais diferentes: fantasia ou realidade?=I

As práticas sexuais estão ficando mais diversificadas?
Aquelas práticas que eram tabus há pouco tempo atrás estão deixando de sê-lo?
A curiosidade pelo diferente pode ter diversas motivações
Recentemente têm aparecido na mídia muitas matérias sobre o aumento do interesse por práticas sexuais diferentes, como o sadomasoquismo, o swing e o sexo em público.
Para constatar isso, basta lembrar o sucesso recente do livro Cinquenta Tons de Cinza ou de filmes mais antigos, como Império dos Sentidos, Emmanuelle ou Barbarela (no planeta de Barbarela, o sexo era praticado através do contato entre as palmas das mãos dos parceiros).  
A curiosidade sobre práticas culturais diferentes das nossas nem sempre indica o desejo de incorporá-las.
Pelo contrário, informações sobre essas práticas podem despertar o nosso interesse porque causam certa dose de medo, repugnância e abalam nossas concepções e porque causam alívio e sensação de superioridade a constatação, por contraste, que as nossas, sim, são “bons hábitos” e as dos outros, "Que horror!". Rs.



Por exemplo, sentimos curiosidade sobre hábitos alimentares, tipos de vestuário, sistemas de casamento e práticas sexuais diferentes dos nossos sem que desejemos adotá-las.
Em certa época, os antropólogos atraiam muito a atenção com as suas descrições de culturas que eram muito diferentes das ocidentais. Este é o mesmo tipo de curiosidade que teríamos, caso fossem descobertas formas extraterrestre de vida inteligente.

I° Interesse por práticas sexuais diferentes
Ainda não foram realizadas pesquisas que constatem um aumento recente das práticas sexuais diferentes.
Pelo contrário, as estatísticas disponíveis, que não são muito recentes, mostram uma alta dose de conservadorismo quanto à adoção de práticas sexuais por parte da população.
Vamos examinar neste artigo algumas dessas estatísticas e um dos motivos para esse conservadorismo – o papel procriativo das práticas sexuais.

II° Principais objetos do desejo sexual
Quem imagina que as outras pessoas estão praticando formas diferentes e ousadas de sexo vai se decepcionar quando examinar os resultados das pesquisas realizadas nesta área.
Essas pesquisas revelam um quadro bem conservador: a grande maioria das pessoas, só pratica o “feijão com arroz”: sexo vaginal, sexo vaginal e sexo vaginal.
Muito raramente, elas também praticam o sexo oral e, bem mais raramente ainda, o sexo anal.

IIIª A coisa vai parando por ai.
As maiores variações observadas nesta área são as posições sexuais.
No entanto, a grande maioria dessas posições - descritas no famoso Kama Sutra e em outros manuais - nada mais é do que caminhos diferentes para penetrar a vagina e estimular o clitóris.
 Ver o parceiro tirar a roupa, beijos profundos, caricias nos seios e masturbação do parceiro também são práticas sexuais muito frequentes.
No entanto, essas práticas geralmente são consideradas atividades “preliminares” para o "verdadeiro sexo": a penetração vaginal.
O ponto alto é sempre a penetração vaginal (lembre-se, por exemplo, que o ex-presidente Clinton alegava que não tinha praticado sexo com Monica Lewinsky porque não havia realizado a penetração vaginal).
Quando a penetração vaginal não é suficiente para conseguir o orgasmo da mulher, ai sim, a masturbação feminina entra em cena como principal atividade sexual: a automasturbação ou a masturbação oferecida pelo parceiro.

IVª Pesquisas sobre fantasias e práticas sexuais
Há aproximadamente quinze anos foi realizada uma pesquisa muito ampla nos EUA com o objetivo de descrever a vida sexual dos americanos (escolha de parceiros, frequência das relações sexuais, satisfação com as relações sexuais, etc.)
Essa pesquisa, relatada em detalhes no livro Sex in America, verificou, entre outros achados, que a penetração vaginal era, disparado, a prática sexual mais atraente (“appealing”) para homens e mulheres.
Um estudo sobre hábitos sexuais conduzido em diversas partes do Brasil, com uma quantidade enorme de participantes, em duas épocas diferentes - 1998 e 2005 – confirma a universalidade da penetração vaginal como a principal atividade sexual, e a frequência muito menor do sexo oral e a raridade do sexo anal.

1 Um estudo que orientei, sobre as fantasias sexuais de pós-graduandos, também confirmam este quadro
2. Vamos examinar, agora, alguns achados deste estudo.

Vª Fantasias sexuais de homens e mulheres
Esta pesquisa foi realizada com 50 pós-graduandos de uma universidade da região da cidade de São Paulo. Participaram desta pesquisa 25 homens e 25 mulheres, que tinham, em média, de 29 anos de idade.
Estes pós-graduandos receberam uma lista que descrevia 57 fantasias e práticas sexuais.
Dentre outras tarefas, foi solicitado a eles que assinalassem cada uma destas fantasias que já tinham tido pelo menos uma vez durante a vida.
As treze fantasias mais comuns (fantasias apresentadas por pelo menos 90% dos participantes da pesquisa) e as dez menos comuns destes pós-graduandos são apresentadas em seguida.

VI° As fantasias sexuais mais frequentes durante a vida
(Nesta pesquisa não foi incluída a fantasia “penetração vaginal”, devido a sua universalidade, tal como foi constatado em pesquisas anteriores).
Percentagens de pessoas (homens e mulheres) que tiveram cada uma das seguintes fantasias pelo menos uma vez na vida:
1) Tocar/beijar sensualmente (100%);
2) Ser sensualmente tocado/beijado (100%);
3) Beijar/acariciar o peito nu do parceiro (100%);
4) Abraçar e acariciar o pescoço (96%);
5) Seduzir o parceiro (96%);
6) Ser seduzido pelo parceiro (96%);
7) Ver o parceiro despir-se/ despir-se diante do parceiro/ despir mutuamente (96%);
8) Masturbar o parceiro (96%);
9) Ser masturbado pelo parceiro (96%);
10) Ter os seus genitais oralmente estimulado pelo parceiro (sexo oral) (96%);
11) Fazer sexo em posições não usuais (92%);
12) Estimular oralmente os genitais do parceiro (sexo oral) (92%)
13) Estimulação oral mútua dos genitais (sexo oral/os dois ao mesmo tempo) (92%).

VIIª Dez fantasias sexuais menos frequentes durante a vida
Percentagens de pessoas de pessoas (homens e mulheres) que já tiveram a fantasia pelo menos uma vez na vida:
1) Vestir roupas do sexo oposto (18%)
2) Ser conduzido a um quarto contra a sua vontade (16%)
3) Fantasiar que você é do sexo oposto (16%)
4) Chicotear/ bater no parceiro (8%) .
5) Ser torturado pelo parceiro sexual (8%)
6) Ser chicoteado/ apanhar do parceiro (6%)
7) Ser sexualmente depreciado pelo parceiro (4%)
8) Depreciar o parceiro  (4%)
9) Torturar seu parceiro sexual  (4%)
10) Ter relações sexuais com animais (0%)
A comparação entre essas duas listas indica que as fantasias sexuais mais frequentes são aquelas consideradas mais “normais”. As fantasias mais ousadas ou diferentes, mostradas na segunda lista, são muito raras.

VIII° Penetração vaginal e procriação
Os teóricos evolucionistas não veem nenhuma surpresa no fato da penetração vaginal ser, disparada, a prática mais atraente para homens e mulheres, uma vez que este tipo de sexo é aquele que gera filhos.
As forcas evolutivas não permitiriam que práticas sexuais não procriativas se tornassem demasiadamente atraentes ou que não fossem apenas formas preliminares e motivadoras para chegar à penetração vaginal.
Caso essas práticas não procriativas se tornassem as mais atraentes, a nossa espécie seria extinta.
Pelo crescimento populacional explosivo da nossa espécie, é fácil concluir que esta modalidade sexual – o sexo vaginal - é muito, muito praticada.
No entanto, é um erro grave condenar outros tipos de práticas sexuais com base no argumento de que elas não têm finalidade procriativa.
Existem evidências de que, para a nossa espécie, o sexo, além de servir para a procriação, também tem a função de fortalecer o vínculo entre os parceiros. Para esta finalidade, não é necessário haver sexo vaginal!
Notas
1- Barbosa, R. M., Koyama e M. A. H. (2008). Comportamento e práticas sexuais de homens e mulheres, Brasil 1998 e 2005. Rev. Saúde Pública vol.42  suppl.1 São Paulo June 2008. Disponível em http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0034-89102008000800005 . Acessado em 17/11/2012.
2- Chiapetti, N., Silva, A. A., Serbena, C. A. e Hasse, M. Fantasias sexuais em acadêmicos de pós-graduação. Disponível em http://www.utp.br/psico.utp.online/site1/artigo_nilse_chiapetti_et_al.pdf . Acessado em 17/11/2012
Adaptação por Pr. João Nunes Machado

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