segunda-feira, 1 de abril de 2013

seis estágios do divórcio



TEXTO BASE MT 18: 1 = 18

INTRODUÇÃO

TEMA: Seis estágios do divórcio: o seu relacionamento está caminhando para o fim?

Mariana e Jair estavam casados há cinco anos. Eles não tinham filhos e eram economicamente ativos e independentes. No início do relacionamento, tudo era maravilhoso. 
Após dois anos de namoro, haviam se casado e, agora, o casamento já estava no quinto ano. 


No entanto, sem que nada de grave tivesse acontecido, o amor entre eles havia esmorecido: a companhia mútua já não era prazerosa como antes, não aconteciam mais aquelas conversas animadas, o romance entre eles parecia descabido, o sexo era raro e burocrático e a amizade deixava muito a desejar.
Mariana tinha consciência de que aquela falta de animação de ambas as partes com o relacionamento, que havia se instalado há um bom tempo, não era tolerável para qualquer casal, ainda menos para um casal tão jovem, que estava junto há tão pouco tempo. Quando essa situação ficou bastante clara, ela, silenciosa e unilateralmente, procurou tomar 

algumas medidas para tentar reanimar a relação: passou a ser mais atenciosa e mais carinhosa, tentou apimentar o sexo, etc. Nada disso, no entanto, produziu efeitos significativos e duradouros.
  Depois de várias tentativas infrutíferas para melhorar o relacionamento, Mariana resolveu encarar a situação de frente e disse para Jair que precisavam conversar. Jair pensou: “Pronto! Lá vamos nós para mais uma DR.” Assim que ela começou a falar, ele logo percebeu que, desta vez, havia algo mais sério na sua atitude: a sua voz estava mais firme, ao invés de lamuriosa e cobradora como costuma ser nestas ocasiões. 

Ela afirmou que aquela situação entre eles era insustentável, que estava muito insatisfeita e que precisavam procurar ajuda profissional para melhorar o relacionamento porque assim não valia a pena continuar.
Jair, mais uma vez, disse que ia tomar medidas para melhorar, que ele estava trabalhando demais e que logo tudo ia mudar. Como das outras vezes, ele não mudou a sua forma de agir e resistiu à proposta para procurar ajuda profissional.

Depois deste episódio, Mariana praticamente desistiu de tentar melhorar o relacionamento e estava se tornando cada vez mais independente de Jair: matriculou-se em uma academia de ginástica, passou a frequentar eventos promovidos pelos colegas e começou a fazer novas amizades que não incluíam Jair. Ela percebia que estava deixando de admirar Jair, de sentir simpatia pela sua forma de agir e pelas coisas que ele dizia. 

Agora, ela fazia questão de manifestar a sua forma independente de pensar e estava disposta a contestar tudo aquilo que ele dizia e que ela não concordava. A situação entre eles foi ficando cada vez mais tensa. Um passo mais marcante na direção do esfriamento deste relacionamento foi dado quando, naquelas férias, ela foi viajar com amigas, ao invés de viajar com Jair, como sempre faziam desde que começaram o relacionamento amoroso.

Agora sim, “caiu a ficha” para Jair: ele viu claramente que não dava mais para negar que o relacionamento estava seriamente ameaçado e que teria que lutar para que ele não terminasse. Seria tarde demais?
Esta história de Mariana e Jair ilustra alguns dos estágios percorridos por um  relacionamento conjugal em direção à separação. 

Embora os relacionamentos possam percorrer diferentes caminhos em direção ao fim, os estudiosos deste fenômeno acreditam que existem alguns estágios que geralmente ocorrem nesta trajetória e que eles ocorrem em uma determinada ordem cronológica. De fato, vários destes estágios são facilmente identificáveis pelos profissionais que trabalham nesta área. No entanto, nem sempre todos eles ocorrem em todas as separações.

Os dois cônjuges que estão caminhando para uma separação podem se encontrar em estágios diferentes deste processo. Por exemplo, um deles pode ter outro relacionamento oculto em paralelo, enquanto o outro ainda nem se deu conta de que o seu relacionamento está em perigo e nem acionou os mecanismos da separação (continua confiante que o seu relacionamento está bom, não apresenta nenhum preparo psicológico e nem está tomando nenhuma medida prática para separar-se).

Além disso, um relacionamento que está caminhando para o fim pode retroceder várias vezes para estágios anteriores e muitos deles, felizmente, embora já tenham percorrido diversos desses estágios, podem ser reconduzidos para um estado saudável, feliz e duradouro.
Vamos examinar aqui os principais estágios psicológicos de uma separação.

Iª Estágios psicológicos da separação
O divórcio pode percorrer caminhos muito diferentes. Esses caminhos dependem, por exemplo, dos motivos da separação (traição, esvaziamento do relacionamento, brigas muito frequentes e intensas, etc.), dos valores morais dos cônjuges, das dimensões da vida pratica, social, parental e psicológica dos cônjuges que foram interligadas durante o processo de união do casal e dos recursos psicológicos, materiais e apoio social cada membro dispõe para lidar com a separação. Embora haja tanta complexidade, algumas coisas provavelmente acontecem na maioria dos divórcios. 

E alguns parâmetros ajudam a determinar e a prever o que acontecerá com o casal.
Vamos abordar aqui algumas dos principais estágios da separação que são apontadas por terapeutas e pesquisadores que trabalham nesta área. Tais estágios geralmente ocorrem na mesma ordem cronológica que serão apresentadas aqui..

II° Estágios da separação
 1- Negação
O cônjuge não iniciador da separação nega que esteja ocorrendo algo sério no relacionamento. A negação da crise acontece por três motivos principais: 

(1) seus sinais são fracos (o cônjuge iniciador do processo de separação está omitindo esses sinais ou atenuando suas intensidades), 

(2) esses sinais, embora notados pelo cônjuge não iniciador, são mau interpretados ou subestimados por este (“Só mais uma crise. Isso logo passa!) ou 

(3) o cônjuge não-iniciador não consegue admitir o que está acontecendo porque não consegue suportar o fato. Este tipo de negação é um mecanismo de proteção psicológica contra aquilo que não pode ser suportado. 

A negação também pode funcionar como um mecanismo de proteção do vínculo. Muitas crises passam sem que sejam tomadas medidas mais sérias para superá-las. Por isso, em certos casos, é melhor ignorá-las e, caso persistam, tratar delas quando estiverem menos agudas (por exemplo, quando a raiva já tiver amainado).

 2- Raiva
A raiva e a demonização do parceiro são provocadas pela frustração (ele está recusando as tentativas para interromper a crise), rejeição (está apresentando mensagens que indicam que não aceita mais o parceiro como cônjuge). A raiva sentida pelo cônjuge não iniciador tem um lado útil: ela o ajuda a desidealizar o iniciador. Essa desidealização diminui o amor por este e torna a menos dolorida a separação.

 3- Desespero
Quando acontece a tomada de consciência de que o iniciador quer terminar e a constatação de que todos os esforços para mantê-lo não estão sendo suficientes para salvá-lo, o cônjuge não iniciador pode entrar em desespero: sente-se impotente para impedir a separação, apresenta sérios distúrbios emocionais e se dispõe a fazer mudanças radicais na sua forma de ser e proceder para contentar o iniciador e demovê-lo da sua intenção de terminar o relacionamento. Por exemplo, o não iniciador promete será mais atencioso, se tornará mais sociável, começará ginástica para perder muito peso, melhorar a sexualidade, etc.A ameaça de separação agudiza o valor do parceiro e do relacionamento. Parece que a natureza criou este mecanismo para ajudar a reunir todas as forcas possíveis para que a separação não ocorra.

 4- Culpa
Esse tipo de sentimento é muito comum entre aqueles que estão dando os passos para a separação ou entre aqueles que já se separaram, mas ainda não assimilaram esse acontecimento. Embora a culpa talvez ocorra mais frequentemente  para o não-iniciador, ela também, muitas vezes, está presente para o iniciador. O não iniciador se culpa por não ter percebido o estado crítico que se encontrava o relacionamento quando ainda era possível salvá-lo e por tudo que podia ter feito ou deixado de fazer para que ele não tivesse evoluído para o estado atual (“Onde eu errei?”). O iniciador pode sentir culpa pelo sofrimento que está impondo ao cônjuge e aos filhos (“Eu sou muito egoísta. Estou fazendo pessoas inocentes sofrerem só para que eu fique melhor”).

 5-  Tristeza profunda
Neste estágio o cônjuge não iniciador constata que o relacionamento realmente está terminando e que os seus esforços para salvá-lo não foram bem sucedidos. O cônjuge iniciador também pode ficar muito triste com o vislumbre do término do relacionamento e com o sofrimento que está causando para os outros envolvidos. Esta tristeza pode dar inicio a uma depressão naqueles casos onde haja uma propensão para isso.

 6- Aceitação.
Muitos pacientes, quando estão passando pelos piores momentos da separação, me perguntam se algum dia a vida voltará a fazer sentido para eles. 

A resposta é claramente um “SIM”. ‘Aquilo que parece impossível de ser superado em um dado momento pode acabar sendo perfeitamente assimilado posteriormente. 

A maioria de nós acaba assimilando tragédias enormes. Por exemplo, um estudo recente mostrou que, em média, cadeirantes são mais felizes do que pessoas que têm locomoção normal. Esse fenômeno pode ser observado em países em guerra ou que passaram por tragédias como terremotos e maremotos. 

Tempos depois, as pessoas assimilam suas tragédias e tocam a vida e, por incrível que pareça, voltam a ter alegrias.
Releitura desfavorável do cônjuge e do relacionamento
Durante o processo de separação, passamos a reler o cônjuge e o relacionamento sob outra ótica. 

Esse tipo de releitura é realizado, em primeiro lugar, pelo iniciador e contribui fortemente para que ele inicie o processo de separação. Em um estágio posterior, ele também é realizado pelo não iniciador e o ajuda a sofrer menos, a diminuir o seu amor pelo iniciador e a aceitar a separação.

Recrutamento de um aliado. É muito comum que aquele cônjuge que está tomando a iniciativa de separar-se procure um aliado que o auxilie neste empreendimento: dê ouvidos para a suas queixas, ajude-o a reler desfavoravelmente as ações do outro cônjuge, incentive-o a tomar decisões separacionistas. 

Este aliado pode ser um amigo, um amante ou um terapeuta.
O seu relacionamento está caminhando para o fim e não é isso que você quer ou pode suportar? Procure a ajuda.

Adaptação por Pr. João Nunes Machado




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